domingo, 5 de agosto de 2012

A vingança das vítimas

Ele adorava as cores de seus vestidos – dois pretos e dois roxos. Tinha que ser assim. O rosto ingênuo de uma, o feminino de outra, o de solitário, e o tolo. Assim que ele gostava, frágeis. Uma loira, uma ruiva e duas morenas. Estava adorando a surpresa das filhas que chegaram em sua casa bem arrumadas do jeito que ele gostava, do jeito que ele exigia desde que eram pequenas. Abriu a porta sorridente e satisfeito passando o braço pela cintura de cada uma ao cumprimentá-las com um beijo no pescoço.
- Minhas meninas! Não podiam ter escolhido melhor dia para presentear o papai assim. – Começou libidinoso. – Entrem. Vamos ficar na cozinha hoje.
E elas entraram com um brilho sedento nos olhos que nunca tiveram antes. Antonio interpretou que elas estavam começando a ter gosto pelo que faziam. E naquela tarde pacata de domingo entediante, elas estavam loucas mesmo pelo que iriam fazer.
Foi algemar Lúcia, uma das morenas que era a filha mais nova apesar de ser a mais alta, mas só conseguiu algemar uma mão, pois as outras três o interromperam e fizeram-no se sentar numa das cadeiras almofadadas da mesa. Ele tentou dizer coisas instigantes a elas sem muito êxito devido ao pano que lhes amarraram na boca. Mas isso não o incomodou, ela adorava o selvagem. Amarraram-lhe as mãos para trás e as pernas na cadeira. O chicote já estava com Márcia, a ruiva.
Então umas chicotadas nas pernas nuas dele. Mas a dor que sentiu arder foi nas costas. Virou então o pescoço para trás e Alice, a loira, estava com uma faca na mão. O que sentia escorrer por suas costas era seu sangue, que também ficara na faca que Alice segurava com precisão.
- Hoje, papai, vai ser uma delícia. – Começou Ana ao seu lado falando em seu ouvido, a outra morena que era a filha mais velha – Vai morrer como sempre gostou de viver: Na sacanagem selvagem.
Com a testa enrugada Antonio as olhava remexendo os olhos sem saber o que estava acontecendo. E a faca afiada deslizou agora por seus braços em linha reta enquanto o chicote cortava-lhe as pernas.
- Se lembra de quando despiu a mamãe, a violentou, torturou e a enforcou em nossa frente porque ela não queria permitir sua doença de praticar incesto com a gente? – Continuou Ana, agora andando em volta da cadeira sem tirar os olhos dele. – Ficamos com muito medo. E então crescemos obedecendo as suas ordens e seus desejos. Mas crescemos, não é? Fugimos daqui adolescentes e de repente hoje voltamos mulheres e lindas nessa casa em que fomos torturadas. – Foi falando direcionando-se para a gaveta onde ele guardava tesouras. Por sorte ele ainda guardava ali. Apanhou-a, e voltou cautelosa, curvando-se um pouco na frente dele. Abriu a tesoura, e fincou-lhe uma das pontas sem dó nem piedade numa das pernas, ao que ele arqueou a cabeça para trás, gemendo de dor.
- Geme, sem vergonha, grita agora! Que gostoso ouvir você assim. – A loira gritou ironicamente, imitando a fala dele quando elas eram pequenas.
A ruiva, depois de deixar as pernas dele completamente arranhadas e vermelhas do chicote, foi puxar para trás o pano, quase rasgando os cantos de sua boca. O fizeram sentir dor. Ele sempre fora sadomasoquista, mas ali já nem sabia mais se era mesmo, porque estava assustado pela primeira vez, com medo das filhas que antes eram frágeis e quebráveis de tão delicadas.
Durou quase meia hora. Não era muito, mas já estava bom.
- Hoje suas vontades ficaram para trás. Apanhou gostoso, não foi? – Provocou Lúcia.
- Foi um prazer imenso para nós todas satisfazer as nossas vontades hoje. – Reforçou Márcia.
- Nossas vontades, papai: Vingar a morte da mamãe. Dar uma saciada em nossa raiva por tudo que nos fez. Fechar com ouro. – Explicou Ana pausadamente.
- Agora morre, desgraçado! – Encerrou Alice enterrando-lhe a faca com ódio e vontade em seu coração cruel e sem vergonha, fazendo de suas palavras, as últimas que o velho homem ouviu.

3 comentários:

Thuan Carvalho disse...

personagens intensamente decididas.

quão mal pode fazer o ser humano, afinal.

legal o texto =]

Ana Carolina disse...

Parabéns pelo texto!
As personagens cativaram-me e a história foi muito bem escrita, desenvolvendo os motivos das quatro e voltando ao passado.

Adoro o blog de vocês,

Ana Carolina
http://realezacontemporanea.blogspot.com.br/

Dilly Monnete' disse...

Uau. É muita, muita dor. E pensar que existem famílias que vivem situações não muito diferentes... Essa é uma das violências mais terríveis, e foi muito bem explorada aqui no texto.
Parabéns.