sábado, 29 de outubro de 2011

A pessoa certa

Algumas pessoas procuram pela pessoa que consideram certa. Outras conhecem alguém, e dizem “É esta!”. Eu tive a sorte de crescer com essa pessoa.
- Vamos ver quem corre mais? Quem chegar primeiro naquela árvore, ganha!
- Ta. – Eu respondia prontamente, enquanto nos posicionávamos um ao lado do outro.
- Um, dois, três e... – Contava pausadamente – Já!
Aquilo não tinha graça. Ele adorava apostar corrida comigo, porque não tinha uma vez que ele não ganhava. E eu sabia disso. Mas eu aceitava porque era divertido. Aliás, eu adorava correr, sentir o vento batendo contra meu cabelo. Só que a melhor parte, era o sorriso sapeca que ele soltava quando chegava até a tal árvore, ofegante. Ele ficava tão satisfeito toda vez, que era como se fosse a primeira vez que fazíamos aquilo.
Nícolas era três meses mais velho que eu. Nossas mães eram amigas e vizinhas. Então desde que nasci, passamos a crescer juntos. A gente discutia bastante. Ele não gostava de perder em brincadeiras, enquanto eu, chorava fácil. O incrível é o modo como uma pessoa pode completar a outra: Eu não ligava em perder dele. E quando eu chorava, fosse por ter feito um machucado, ou qualquer outra coisa, ele não se importava em ficar comigo, contando todas as piadas que sabia, até as mais sem graças, só para que eu caísse na risada. Ele até adorava fazer isso, porque eu ria fácil.
Minhas bonecas foram guardadas; nossos ralados nos joelhos, cicatrizados; as velinhas sobre nossos bolos de aniversário foram tendo um número mais alto a cada ano. E tudo passava com o tempo: Infância, medo dos fantasmas do escuro, apostas de corrida, tudo. A única coisa que não passava, era nosso companheirismo. Aos quatorze anos, já éramos grandinhos o suficiente para sabermos que éramos melhor amigo um do outro. E isso não podia se discutir. Porque a gente sabe que tem um melhor amigo quando o tempo passa, e ele continua o mesmo, sempre ao seu lado, independente dos momentos que você esteja passando. E ainda tem aquela coisa: As pessoas não são legais sempre. Nícolas tinha inúmeras virtudes. Mas era petulante demais, e me irritava demasiadamente toda vez que me chamava de mimada. – Ele me chamava assim sempre que brigávamos. Pegava no fraco. Eu detestava, porque achava que ele era incapaz de entender que algumas pessoas são sensíveis e emotivas, e que isso não é por mimo. Mas isso era só uma das coisas que me irritavam. Havia muitas outras.
A pessoa quando sabe ser chata, é terrível. Ainda mais quando você gosta demais dela, para ainda sim amá-la e, de um momento para o outro esquecer que ela não foi legal. E era assim que acontecia com a gente.
Aliás, ainda acontece. Temos dezessete anos e namoramos há quase dez meses. A gente ainda discute, briga. Mas não existe vazio.
Vejo minhas amigas... Conhecendo garotos e namorando-os logo de cara, só porque de início gostaram do que viram. Mas acaba que o namoro termina, e o ciclo se repete numa nova tentativa de acerto.
Penso então que a pessoa certa não surge numa fração de segundos. Porque ainda que ela seja mesmo a certa, é preciso tempo, para então entender que pessoas perfeitas não existem. E que uma pessoa certa, não é aquela que ao menos se aproxima da perfeição. Mas aquela que apesar de ser cheia de defeitos, continua sendo a melhor e a mais especial para a gente, mesmo com o passar dos anos.
Então a cada dia que eu paro para pensar, a melhor pessoa para se namorar, é mesmo o nosso melhor amigo. Porque amor de verdade não existe, se primeiro não houver amizade.


#Pauta para Suas Palavras

Um comentário:

Iasmin Cruz disse...

Adorei o texto, nunca iremos encontrar a pessoa perfeita e em busca dela, algumas vezes não percebemos a pessoa certa ao nosso lado.

http://iasmincruz.blogspot.com/