domingo, 11 de novembro de 2012

Outra vez amor



Ela sentiu seus olhos ficarem leves e moles enquanto passavam a ter um brilho em especial. Aquela foi a coisa mais linda que já lhe disseram. Que tipo de homem tem o queixo trincado de graça por causa do ex-namorado ignorante de uma garota que mal conhece há dois dias e apesar de todos dizendo a ele para se afastar da garota - que tacharam de falsa - ainda permanece ao lado dela? – pensava enquanto lia repetidas vezes o que ele lhe escrevera na janela do msn:
 “Eu gosto de você, Helena. E por você apanharia de novo.”
Ela sabia que não seria boa coisa se apaixonar por aquele garoto. Mas a paixão quando enlaça a pessoa de jeito a amarra com um nó danado de forte e então fica cada vez mais difícil sair dessa. Porque ao dar-se por si, já é amor.
Não que André não fosse uma boa pessoa. Mas era justamente por ele ser o contrário que não era boa coisa. Ela já sofrera demais com outros amores. Logo após terminar aquele último namoro, estava fria e decidida a não amar de novo. Mas a gente não manda na vida, a gente não escolhe hora nem lugar para gostar de alguém. A simpatia, a paixão, o amor por um ser, é algo incrível que acontece naturalmente, assim como abrir a embalagem de um chiclete antes de mascá-lo. Então lá estava Helena, rumando ao amor novamente. Assim como se abre um chiclete, André havia aberto aquele coração cheio de mágoas dela. E ela decidiu que podia deixar que ele se apoderasse. Porque se ele conseguiu abrir e entrar, também poderia cuidar. De repente ele poderia deixar aquele coração frágil e sangrando em algum lugar... Ah, como doeria. Mas Helena sequer pensava nessa possibilidade agora. Quase chegou a pensar, mas dispensou. Porque estava adorando sentir o amor outra vez. Ainda mais quando esse amor que vinha de André para ela parecia ser incondicional, fiel e companheiro. Talvez fosse diferente; talvez dessa vez valesse realmente a pena. Quem sabe. Não custava tentar.