quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A pequena grande intenção

- Mamãe, você acredita no Papai Noel?
- Claro, filha. Ele não te traz presentes todo ano?
- Sim... E é isso que me faz pensar. – A mãe ficou com uma sombra de dúvida no rosto, esperando que Ana terminasse de falar. – Dizem que o Papai Noel está em todos os lugares do mundo, dando presentes. Mas por que as criancinhas muito pobrezinhas mesmo não recebem?Elas que mais precisam.
Rosana olhava para a filha, sem saber o que responder. Não podia destruir a inocência da menina quanto o Papai Noel dizendo que seu próprio pai é que comprava os presentes. Era embaraçoso demais. O que devia ser dito? Havia algo que ela pudesse dizer, para que o Papai Noel ainda fosse considerado um bom velhinho e a verdadeira magia do Natal para as crianças?
Em meio a todo aquele embaraço, Ana interrompeu os pensamentos da mãe.
- Parece que você também não sabe por que isso acontece não é, mamãe?
Rosana soltou um suspiro de alívio, o jeito era concordar.
- É filha, a mamãe não sabe... – Afirmou, olhando triste nos olhos de sua filha de oito anos.
- Tudo bem. Mas não tem problema. Algumas dessas crianças vão ficar felizes nesse Natal. Já escrevi minha cartinha pro Papai Noel. Deixei um punhado de balas ao lado da carta, dentro da gaveta da mesinha da sala, onde sempre deixo as cartinhas. Disse pra ele levar aquelas balinhas para as crianças mais pobres. É que também não tenho muito a oferecer, foi o melhor que achei. Mas eu dei um jeito de embrulhar cinco balinhas em cada papel pequeno de presente. Disse pra que ele entregasse às crianças. Imagina mamãe, o sorriso delas quando abrirem os olhos e verem que pela primeira vez Papai Noel entrou na casa delas.!
Ana falava, com os olhos brilhando. Feliz por estar minimamente ajudando as crianças mais pobres da cidade, mesmo que fosse presenteando-as com simples balas. Pelo menos era alguma coisa. Pelo menos estavam embrulhadas. E tudo que está embrulhado é presente. E todos sorriem quando ganham presentes. Ela falava aquilo tudo empolgadamente, sem desconfiar de nada.
Rosana a ouvia, sentia sua emoção ao falar. Quando a menina terminou, ela sorriu espontaneamente para a filha.
- Estou tão feliz por você, filha! – E abraçou-a.


Realmente estava contente por ver a preocupação da filha para com os mais pobres. A atitude, a intenção dela, apesar de inútil, era linda. Ainda mais para uma criança. Enquanto a filha a olhava, sem resposta sobre por que crianças pobres não recebem presentes do Papai Noel, mas super feliz por estar presenteando as mesmas com algo, Rosana só conseguia sorrir. Mas estava pensando: “O que eu vou fazer com essas balas?”


O Natal devia ser como diz-se nas histórias. O Natal devia ser mágico e o máximo para todas as crianças. Quantos sapatos já teriam sido roubados nas janelas de casas em bairros pobres? É um tanto quanto injusto só os ricos e os com um pouquinho de condição financeira ansiar pelo fim do ano. Por isso que Rosana sempre preferiu o Ano Novo. Já fora uma das crianças mais pobres. Todavia, com o passar dos anos, conseguiu um trabalho que dava para se manter, e conheceu Arnaldo, seu marido.
Ano Novo! Este sim é bom: Uma nova esperança, um recomeço. Quando tudo pode mudar. E essas mudanças incluem melhoras. – Lembrou Rosana a si mesma. E de acordo com a vida que teve quando criança, tinha toda razão em pensar assim.

Se levantou da cama de Ana, olhou-a mais uma vez e sorriu para a filha antes de se retirar do quarto. Ela também aprenderia isso e talvez pensaria assim um dia, daqui alguns anos.



Mais um ano está chegando ao fim. Praticamente já chegou. Espero que vocês tenham tido um ano maravilhoso, cheio de coisas boas. E se não foi tão bom assim... Bem, um novo ano está chegando, a cada minuto fica mais próximo. Um novo começo para tudo, uma nova esperança a nascer. Não se preocupem com nada. Agora é tempo de alegria. Multipliquem-a.
Em nome da franquia, quero desejar a todos vocês Feliz Ano Novo mais uma vez, como o Cristiano já antecipou. E que venha 2011.! :D

Um comentário:

Cavi ou Cavisseu (ex-"Gafanhoto Mestre") disse...

Desculpe ser o comentador maldito, e eu nem ia comentar se já houvesse alguém "que leu", como dizem no campo do número de comments. Mas já que "ninguém leu", resolvi eu mesmo comentar. Letícia... (Você também odeia que (completos desconhecidos) te chamem assim pelo nome...? hauhaua)Você já pensou que, não existisse tantos e variados brinquedos, não haveria de haver essa tal ânsia por tais? Eu próprio passei por uma frustrante e horrorosa experiência de querer muito um brinquedinho que minha mãe, na época, não podia comprar. E não creio que custasse tão caro (caro é bem relativo). Infelizmente a gente tem esse negócio, quando criança, de fixarmo-nos em algo (geralmente um brinquedo) específico... Depois a gente cresce e (no caso dos homens, pelo menos) substituímos isso por fixação em mulheres específicas... ahuahuaha.
Voltarei depois pra ler mais. Bjo!