domingo, 16 de junho de 2013

Uma noite no descampado


Ao som do rádio, atrás do volante, eu tentava manter minha excitação sob controle e ela, calmamente, ao lado, sorria ao vento e segurava os cabelos.
Eu tinha dito que a levaria a um lugar especial, para nossa primeira noite especial, pois ela é uma garota especial. Ela concordou, eu sei que também esperava por esse momento e ambos estávamos apreensivos e com aquele frio na barriga que puxava como um gancho.
O céu estava vestido de um azul claro e sem nuvens, o calor do sol era enfraquecido pelo sopro do vento causado pelo carro em movimento.
“Estamos quase lá”, eu pensei e olhei de esguelha para ela, que cantava e se sacudia.
As músicas continuaram a tocar e pouco antes da despedida do dia, chegamos ao descampado.
Ela olhou através do vidro para a extensa campina coberta de relva e sorriu para mim, como se aprovasse a escolha da localidade.
- Eu costumava vir aqui com meu pai para pensar – eu disse e acompanhei a vista dela. Nenhuma árvore por perto, ninguém além de nós.
- Aqui me parece um bom lugar para pensar, acho que até estou pensando agora – ela disse rindo-se.

- Você tem certeza de que está pronta? – eu perguntei. A lua brilhava lindamente, acompanhada das milhares de estrelas cintilantes com aquele céu azul escuro de fundo. A brisa leve levantou alguns de seus fios dourados de cabelo e o silêncio em volta gritava por uma resposta. Seu olhar expressivo pousou sobre mim, como se tentasse penetrar em minha cabeça e desembaralhar o emaranhado de pensamentos. Meu coração palpitava e parecia estar preso em minha garganta, ainda indeciso se voltava para o lugar ou se saltava para fora. Minhas mãos tremiam e eu tentava não deixar isso à mostra.
Ela se inclinou com aquela sensualidade de menina crescida e me beijou com suavidade, acrescentando doses de fervor e malícia a cada beijo.
Pulamos para o banco traseiro, ela me pregou no assento com o peso de seu corpo e se debruçou para me beijar ainda mais, enquanto suas mãos avidamente desabotoavam minha camisa e deslizavam pela minha pele arrepiada.
Delicadamente tirei sua blusa e deixei meu dedos alucinados percorrerem cada centímetro, desbravando seu corpo desnudo, descobrindo mistérios.
Enlacei meus dedos em seu cabelo e a beijei como nunca. Nossos corpos se uniram, eu a desvendei como um tesouro perdido e o som de sua respiração ofegante em meu ouvido me instigava a continuar com aquilo. Seu corpo se movia conforme os meus movimentos, seu suor se misturou ao meu... e chegamos ao clímax do prazer.
Depois do ato, com sua cabeça em meu peito, eu não encontrei palavras para quebrar o silêncio que agora soava ameno.
- Está pensando em quê? – ela me perguntou com uma voz cansada.
- Em tantas coisas – eu respondi.
- Aqui é realmente um lugar para pensar, estou pensando em muitas coisas também – nós dois rimos.
- E será que você pode dividir um pensamento?
- Não, eu posso trocar. Digo um meu e você diz um seu, de acordo? – eu fiz que sim e esperei ela continuar. – Eu estava pensando em quão maravilhosa foi essa noite. E sim, eu estava pronta. Agora é a sua vez.
Pensei por um instante e disse:
- Eu estava pensando que eu sou um cara muito sortudo por ter você e que te acho linda mesmo com o cabelo todo bagunçado.
Ela passou as mãos no cabelo e escondeu o rosto.
- Bobo, não era para você ter me visto desse jeito. Agora pegue o lençol e vamos dormir, estou pensando em descansar e guardar esse momento para sempre.
Apanhei o lençol e atirei sobre nossos corpos.
- Esse momento vai ser sempre nosso – eu disse e a envolvi em meus braços.
Adormecemos ao som dos grilos e do vento que cantava canções de ninar e um último pensamento me ocorreu. Não foi o lugar, a noite nem nenhuma outra coisa que fizeram daquele momento especial. Foi ela, fomos nós.
Nós temos o poder de fazer coisas simples se tornarem inesquecíveis.

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