segunda-feira, 18 de março de 2013

Das coisas sem sentido



The stars lean down to kiss you…

Olhei para ele enquanto seu olhar se perdia no horizonte em busca de algo que eu não sabia o que era. A brisa leve noturna alisava nossos rostos, como se acariciasse suavemente a nossa pele, acalentando-nos.
Ele sorriu para si mesmo, provavelmente havia encontrado o que procurava. Meu menino das palavras contidas e sorrisos soltos, ele sempre sabia o que dizer mesmo quando não dizia coisa alguma. E como se tivesse escutado meu pensamento, que muitas vezes escorria pela minha voz, ele apontou para o céu e sorriu ainda mais abertamente. Apaixonante.
- Está vendo aquela estrela? – deixei-o guiar meu olhar e vi, na verdade, muitas estrelas, talvez minha testa franzida de receio de dizer que não a via lhe confessou minha incapacidade – Aquela – ele insistiu e moveu meu rosto – Aquela que está debruçada na bancada do céu só para te ver.
Meu sorriso escapou tão veloz que eu mal pude perceber que meu rosto o exibia.
- Você a vê?
- Sim – eu disse enrubescida -, mas ela não está debruçada coisa nenhuma, ela está parada como sempre esteve.
- Não se você olhar atentamente, sinta a poesia no ar – ele fechou os olhos e inclinou a cabeça, abrindo os braços – Ouça a música da noite, o sussurro do vento.
- Você fala coisas sem sentido – eu o repreendi sem intenção, ele tornou a abrir os olhos e me encarou com aquela expressão de “você não entende”.
- E o que é sentido para você? – as perguntas mais simples e mais difíceis de responder.
- Sentido é sentido, é saber que as coisas são de um jeito e pronto – respondi, divertindo-me com o fato de causar-lhe certa irritação.
- As coisas são de um jeito e pronto – ele ecoou – Eu não acho – era óbvio que ele discordaria de mim, ele sempre teve sua própria visão de mundo.
- E o que você acha?
- Acho que tudo tem um pouco de tudo, nada é somente uma coisa só. Não pode ser. Por exemplo, as estrelas, elas são pontinhos distantes de luz, mas preste atenção. Olhe para as estrelas, olhe como elas brilham por você. Elas entendem que tem um motivo para brilharem de alegria, mas você as ignora – as palavras arrebatadoras dele, estava demorando para que ele me inebriasse com todas elas, aquele sorriso bobo voltou.
- É, você tem razão. Elas são incríveis, mas veja como a lua majestosa também brilha por você – entrei na brincadeira, desta vez quem deixou um sorriso escapar foi ele.
Seus olhos pousaram sobre mim, cálidos feito o hálito de uma noite de verão, mais brilhantes, mais intensos que qualquer estrela debruçada, mais importantes que qualquer constelação.
- A lua? Não sei – ele pensou por um instante – Ela me parece tão solitária.
- É por isso que ela brilha por você – eu logo argumentei – Ela quer te seduzir, quer te roubar.
- Pobre lua, – ele disse cabisbaixo – será que ela não entende que eu já fui roubado há muito tempo? Será que ela não vê que jamais poderá ser mais majestosa que você? É uma pena partir o coração dela dessa maneira.
Eu soltei uma risada alta, pois meu coração deu um impulso tão forte que espalhei sorrisos por toda a rua escura.
- E as estrelas podem despencar daquela bancada, eu não me importo, desde que eu esteja com você. O céu pode ficar vazio, porque tudo o que eu preciso está do meu lado.
Ele apertou minha mão com delicadeza e beijou minha testa, a ponta do meu nariz e meus lábios. Lá longe, distantes, as estrelas soltaram risadinhas conspiratórias. Eu entendia que elas brilhavam, mas não por minha causa. Elas apenas queriam ser eu naquele momento para poder sentir, ao menos, um pouco da felicidade que eu sentia.
Pobres estrelas, eu pensei, tão lindas, mas tão infelizes.
E de repente, inundada pelo senso poético dele que se derramava em mim eu desejei:
- Que um dia as estrelas possam descobrir o que é o amor.
- Elas já descobriram – ele afirmou convicto – Elas o conhecem através de nós dois.
Eu pude jurar que uma delas saltou da bancada celeste ao escutar aquilo e até a lua de coração partido encheu-se de mais fulgor.
Deixei-me mergulhar em outro beijo, pois eu cabia nos lábios dele, assim como ele cabia nos meus.

2 comentários:

@_carlabresa disse...

Que lindo, gente! Que lindo, me arrepiei lendo. Super fofo aquilo dos pensamentos que escorrem pela boca.. e dos sorrisos que se espalham pela rua.. e dos labios que se encaixam. Ai, que lindo. Eu devo estar bem apaixonada ou você escreve bem demais. Amei, que lindo.

Já falei que o texto está lindo? hahaha

Me ame também, ta? 2 beijos.

Ana Carolina disse...

Que lindo!
Quanta poesia num só texto. Sorri do início ao fim.

Quem escreveu? Dessa vez não foi colocado.

Abraço,
Ana Carolina.