domingo, 7 de outubro de 2012

Uma noite musical



Era uma noite quente de verão. A lua irradiava sua luz sobre a cidade e sobre todas as pessoas que percorriam as ruas iluminadas. O vento morno deslizava pelas costas dos carros e se bifurcava nas esquinas.
Tudo o que Marina queria naquela noite, de um dia não muito bom, era ficar em casa com um pote de sorvete no colo, numa maratona de seu seriado favorito pela noite adentro, mas suas amigas insistentes a arrastaram para a noite. O táxi as deixou diante de um barzinho agitado com música ao vivo.

Jorge havia acordado há pouco tempo. Trabalhar durante a noite esgotava todas as suas energias, de modo que tudo o que ele queria fazer pelo resto do dia era dormir. Ele levantou-se, tomou um banho frio e vestiu-se, mais uma noite de trabalho o esperava. Entrou no carro com os amigos, ignorando as piadas sobre sua barba mal feita e dirigiu.

Marina e as amigas ocupavam uma mesa diante do palco, ainda vazio e se distraíam com fofocas e copos de drinks coloridos. Apesar de tudo, a moça ainda pensava que era melhor estar em casa com os olhos pregados na TV.

Jorge fez seu ritual quando chegaram ao local de serviço. Correu até o bar, tomou uma dose de tequila, ergueu o copo vazio acima da cabeça, contemplou a casa cheia e foi ajudar os amigos a preparar o palco.

Marina, entediada, ocupou-se em observar o palco sendo preparado. Um moço que carregava um violão nas costas lhe sorriu abertamente e ela surpreendeu-se ao sorrir de volta. As amigas lhe cutucaram e fizeram brincadeiras. Ela fechou a cara e esperou a banda começar a tocar.

Com o palco preparado. O grupo de quatro rapazes saudou as pessoas e a bateria soltou seu primeiro grito quando a baqueta lhe acertou. Jorge agarrou o violão e colocou-se diante do microfone. A palheta alisou as cordas e o instrumento sussurrou a melodia de uma canção animada. Sua voz percorreu todo o ambiente e seus olhos pousaram em Marina enquanto cantava.

Durante toda a apresentação a troca de olhares entre os dois foi constante. Ela sorria quando ele fazia gracinhas ou lançava uma piscadela em sua direção e logo percebeu que estava dançando como todo mundo ao som da banda.

Nós nunca sabemos o que pode vir pela frente ou o que a vida reserva para nós e foi assim que a história de amor de Marina e Jorge começou, de forma despretensiosa e musical a paixão surgiu e abraçou os dois corações.
Eles ainda não sabiam, mas logo Marina estaria assistindo seu seriado enquanto Jorge dormia e ele logo estaria trabalhando na composição de uma música de nome Marina.
Pois a vida não tem roteiros definidos e surpresas como essa são sempre bem-vindas. 

3 comentários:

renatocinema disse...

Sou música em filme, em livro.......em contos.

Adorei.

Parabéns.

Tassyane Nunes disse...

"Nunca sabemos o que pode vir pela frente..."

É! Bem assim mesmo!

Marina disse...

Gostei do nome da protagonista. Na verdade, eu e ela temos mais que o nome em comum.