quinta-feira, 6 de setembro de 2012

II Semana Especial: Dos que amam e não entendem #Dia06


♫ (...) “Não pense que eu não desejei,
não diga que eu não quis,
é só que eu me assustei
ao me ver tão feliz...” ♪

As palavras lhe diziam o que ele significava, as músicas cantavam em seus ouvidos a poesia de seu sentir e seu tolo coração batia fora de compasso ao pensar no sentimento. O rapaz já pensara ter conhecido o amor, mas ao crescer percebeu que tudo o que conhecera fora apenas esboços malfeitos por sua ingenuidade em enxergar que ele não estava lá.
A vida ou tempo ou destino, entenda você como quiser, lhe mostraram que aquele tal amor possui uma ambiguidade assustadoramente confusa e então ao invés de continuar seu percurso em busca dele, ele desistiu. Desistiu por não querer se enganar mais. Desistiu por medo de sofrer. Desistiu, até mesmo, por medo de amar.
Ele acreditava, porém, que o sentimento rubro sondava sua vida, escondido em esquinas e esperando que seus passos lhe guiassem ao seu encontro, mas o rapaz sempre tomava um caminho diferente. O amor e ele se desencontravam constantemente, embora tenham se esbarrado repetidas vezes e ele não reparou que estivera perto. Tão perto que seu coração batia mais acelerado e depois suspirava de decepção pela estupidez de seu dono.
Talvez você conheça esse rapaz, ele é extraordinariamente comum e pode ser visto em qualquer lugar. Você pode topar com ele em um café, pode cruzar seu caminho numa rua movimentada, pode sentar ao seu lado no ônibus ou metrô. Se você prestar atenção pode vislumbrar fagulhas de sorrisos desprendendo de seus lábios, pode avistar uma aura de alegria que ele emana e pode, se muito atentamente observar, desvendá-lo.
Ele caminha de mãos dadas com a solidão, de olhos distraídos para os sentimentos que o cercam. Estranhamente bobo e encantadoramente charmoso. Sabe responder as perguntas mais difíceis, mas se confunde com as mais simples, ele sempre busca uma profundidade onde não há. Pergunte-o sobre seus livros e filmes preferidos e tome um banho de exclamações animadas e sugestões. Pergunte-o sobre os segredos de seu coração e afogue-se num silêncio impenetrável.
Esse rapaz, familiar ou não para você, possui um otimismo arraigado em seu ser e mesmo quando quer ser pragmático soa como um idealista e carrega um brilho nos olhos que denuncia que por trás de uma fachada, ora carrancuda, ora sorridente, há alguém cuja fé ainda respira e cuja esperança brota de uma fonte aparentemente inesgotável.
O amor? Ele está lá também, dentro dele, perdido no intrincado labirinto que ele criou para aprisioná-lo. Ele quer que o amor vença suas barreiras, quer compreendê-lo, quer senti-lo de forma tangível. Ele é um rapaz que busca certezas e este é seu defeito mais cruel, pois certezas não existem na realidade, principalmente quando se trata do amor.
Ele ainda tem suas dúvidas se sabe amar ou não e enquanto a resposta derradeira não vem, que ele ame.
Que ame até perceber que esteve amando durante todo o tempo que quis entender o amor e que assim continue.

2 comentários:

Alexandre Lucio Fernandes disse...

Quando menos percebemos mais o amor está. E às vezes nem notamos, mas perdura por entre nossos caminhos, nossas rotas. Quando nos preocupamos em imaginar fantasias, mal sabemos que o amor já nos preenche, porque querer já é amar, buscá-lo também...

Lindo texto!!

Abração!

Th-Alice Star disse...

Amei!!! Você parece ter descrito uma pessoa que eu conheço. As pessoas acham que não sabem amar, mas não sabem que amam sem nem mesmo saber como fazê-lo. É tudo muito sem explicação. O problema é que procuram motivos e porquês para amar... Sendo que eles simplesmente nunca existiram e nunca existirão.
Lindo o texto. Valeu a pena clicar em "sim". Parabéns!