sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Teu beijo



- Você lembra de como tudo começou? - eu perguntei a ela, que estava sentada apoiada em mim.
- Eu jamais vou esquecer - ela disse.

A praça estava cheia de gente, pouco antes do anoitecer, o céu limpo e alaranjado do crepúsculo dava tons mais amenos às coisas ao redor. Ela desfilava naquele vestido florido e cheio de vida, os cabelos balançando ao vento. Eu a observava de longe, meu coração quase rasgando meu peito e se atirando nas mãos dela para dizer "eu sou seu". Enquanto eu a olhava, até me esquecia de respirar.
Era ela. A garota dos meus sonhos, aquela que era feita para mim. Minha outra metade.
Nosso olhar se cruzou em meio a multidão, senti um sobressalto ao perceber que ela me olhava, tentei disfarçar desastrosamente e esbarrei nas pessoas que vinham na direção oposta, quando a olhei novamente, ela ria. Um riso perfeito, a mão na boca cobrindo o sorriso pelo qual eu também me apaixonaria mais tarde. Sorri em resposta e me senti atraído até ela. Caminhei vagarosamente em sua direção, com receio de ser mal recebido ou com medo de ela se virar e sair, mas nada disso aconteceu. Ela ficou, me esperou. Exibindo aquele sorriso inebriante que me deixava sem ar.
Tudo começou com um simples "oi". Passamos horas sentados no banco da praça, jogando conversa fora e nos conhecendo. Era íncrivel nossa sintonia e conexão. Era como se nos conhêcessemos há muito tempo. Eu completava as frases dela e vice-versa. O sorriso dela completava o meu. Os olhos delas brilhavam, como se refletissem as estrelas, enquanto sorria e conversava. Sua voz me fazia esquecer o mundo, as pessoas ao redor. Éramos apenas nós dois. Quando o beijo aconteceu foi algo tão natural que nenhum de nós ficou constrangido. Ela apenas sorriu e passou a mão no cabelo. Eu ajeitei uma mecha solta atrás de sua orelha e nos beijamos de novo. Naquele momento soubemos que éramos feitos um para o outro.
O beijo doce dela me resgatou da lembrança.
- Tá pensando em quê? - ela perguntou com aqueles olhos encantadores fixos nos meus. Eu sorri, apanhei um pedaço de papel no bolso e a entreguei.
- Nisso - respondi.
Ela desdobrou e leu em voz alta. Sua voz soando como uma melodia celestial.

"Meu amor por você é a soma das verdades que eu te digo,
é a força do bater de meu coração que se encontra em suas mãos,
é a luz branda que o sol irradia, é a inspiração de um poeta,
é a beleza das águas mansas do oceano,
é a pureza do canto dos pássaros nas árvores.
Nosso amor é a fonte do meu viver, é o alimento da minha alma.
Nosso amor é como a água pura e cristalina.
O seu amor é como as gotas da chuva que o céu derrama sobre mim,
é a paz de meu espírito, é a matéria-prima da minha felicidade.
Nosso amor vence a barreira do tempo, altera o poder das horas.
E é por isso que eu digo..."

Ela olhou para mim com os olhos marejados, se perguntando o final da frase.
A eternidade passa em um segundo quando estou ao seu lado. - eu completei.
Os lábios dela se abriram em mais um sorriso apaixonante, enquanto uma fina lágrima se desprendia de seu olhar e ela me beijou.
Eu e ela naquele banco ao pôr-do-sol. Aquilo era tudo o que eu precisava.
Olhei para ela mais uma vez, relendo as breves linhas e tive ainda mais certeza de que eu havia encontrado a minha felicidade. O meu amor.
Outro beijo. E isso me basta para saber que estou vivo.

Um comentário:

Dilly Monnete disse...

Um beijo. Isso basta.
Isso resume um mundo inteiro <3