segunda-feira, 19 de março de 2012

Dada ao paraíso


Os olhos atentos para aquela moça deitada, totalmente despreocupada com a vida, era exatamente assim que fixava-se nela. Não tinha pretensão de chegar até lá e conversar ou questionar seus motivos. Queria saber, mas se importava mais em estar perto, as causas poderiam ser decepcionantes e isso não lhe faria um bem.
Havia tantas ali, ela não era única, mas, visto que era a novata naquele lugar, ela tinha um diferencial arrebatador que se tornava o centro das atenções.
Seus cabelos ruivos deslizavam-se pelo corpo, as sardas sedutoras contrastavam com sua beleza surreal. Um sonho de consumo, uma noite de aventura, um amor de perdição.

Lá sempre estava ela, com seu ritmo veemente, as curvas sinuosas prontas a exercer o que lhe convinha. Os lábios propícios a realizar a mais instigante forma de sedução. O olhar totalmente oblíquo provocava longínquas loucuras em quem a contemplava realizando o que lhe era pedido.
Ela não parecia iniciante, seus movimentos eram perfeitos, o trabalho realizado era tão bem feito que todos queriam com ela, não somente eles, elas também.
Tyd entregava seu corpo e em troca recebia dinheiro por isso. Ela nunca mencionava que era garota de programa, quando a perguntavam, simplesmente dizia que trabalhava fazendo arte corporal. Até seu jeito para as respostas eram diferenciados. Todas mencionavam que era garota da noite, do dia. Ela fazia questão de ser mais discreta aos olhos de fora. Já na cama ela derrubava a timidez, jogava toda insegurança de lado e agia com ousadia, com iniciativa e deixava o contratante louco de prazer. Seu corpo quente, os lábios molhados prestes a tocar toda a parte corporal de quem a comprasse por uma noite, mas na verdade a queriam por toda a vida.

Agora ela estava ali, deitada na cama a divagar algo que nem sequer aqueles olhos por trás da fechadura sabiam o que se passa com ela.
Ele tentou ser diferente, tentou fazer com que aquela noite fosse apenas um longo momento de prazer, mas o que tinha por entre as pernas dela ia muito além da satisfação. O paraíso encontrava-se no olhar dela. O céu foi sentido pela respiração dela, não por seus gemidos. Ele a queria não pelo corpo, mas por aquela alma. Sabia que mesmo impura, havia uma pureza dentro dela que ninguém atingiria. Aquela alma era certa, ele a queria, ele a teria, mesmo que para isso fosse necessário tirá-la de lá e sustentá-la pelo resto de sua vida.

Ele tomou coragem e bateu na porta. Ela ajeitou os cabelos, arrumou o vestido e disse:
- Entre!
Ele olhou-a e beijou-a com olhar.
Ela fitou-o e cerrou os lábios, ela lembrava-se dele, claro. Ele foi o melhor cara que tinha ficado com ela, não porque realizou todos suas vontades sexuais, mas porque, acima de tudo, ele indagava e se preocupava com ela. Depois do sexo, o que ela mais queria era alguém que estivesse com ela e conversasse, não que pagasse pelo ato, mas pela presença. E ele fazia. Todos os dias, durante 13 dias eles ficaram juntos. Ele a queria. Ela o queria. Ambos não sabiam disso.
- Posso me sentar? – ele indagava.
- Mas é claro. Só que hoje não estou disposta a trabalhar, é... Se é que me entende – ela falava meio gaguejante.
- O que há?
- Parei e refleti que não é isso que quero para mim. Voltarei para minha cidade, embora longe, mas cuidarei da minha vida. Não posso dedicar meu tempo em algo assim. Não é o que quero para mim. Desculpe te falar tudo isso, agora você pode ir – ela dizia, enquanto levanta-se e esticava o braço para a porta, insinuando para ele sair.
- Eu não vim aqui para isso.
- Como não? Só me procuram para isso!
Ele puxou-a pelo braço, inclinou seu tronco sobre o dela e selou um beijo quente. Separando os lábios por alguns instantes, ele abriu os olhos e disse:
- Quero casar-me com você e levá-la para onde quiser, Tyd.
- Me chame de Ked, Ked Monkey. Este é meu verdadeiro nome e sorriu como uma resposta ao pedido.
Ela queria. Ele queria. E isso foi feito.

#Pauta para Bloínquês

Nenhum comentário: