domingo, 19 de fevereiro de 2012

E quem disse que não é possível?



Abel é um gato e isso é basicamente tudo o que você precisa saber sobre ele, pois ele é apenas um gato comum que dorme praticamente o dia todo, mia quando quer afagos e arranha sua perna quando tem fome. Como eu disse, apenas um gato comum. Mas se ele não tem nada de especial por que eu estaria contando uma história sobre ele? Bem, continue lendo e descobrirá.
Todos os dias eu acordo com os pulos de Abel sobre minhas costas, ele simplesmente detesta quando eu acordo tarde, pois não gosta de ficar sozinho encarando a televisão desligada. Muito contrariado, levanto-me e faço nosso café da manhã. Pão caseiro com manteiga e chá para mim e uma tigela cheia de leite para Abel. Acho engraçado quando ele, feliz da vida, toma seu leite e depois me olha com a boca toda molhada, como se sorrisse em agradecimento.
Eu não sou fã dos programas matinais, mas sempre ligo a TV para que Abel se entretenha com as dicas de culinária que ele nunca usará, enquanto espera pelos desenhos animados. É, ele adora os desenhos e não pisca quando os assiste. Pensando bem, ele não é um gato tão comum assim.
Quando saio para o trabalho e interrompo seu programa preferido, ele me lança um olhar rabugento e eu já fico ciente de que ele ficará todo esnobe quando eu retornar. Bichano mimado.
Certo dia, voltando do trabalho, passo em frente ao pet shop onde compro a ração de Abel e me deparo com um aquário com um peixe-dourado. Nunca entendi porque eles são chamados de peixe-dourado se possuem outras cores. O peixe que nadava distraidamente era vermelho e branco e sua cauda em forma de véu balançava-se na água com uma leveza tranquilizante só de olhar.
Abel poderia gostar de uma companhia, eu logo pensei, e apesar de não estar escolhendo o animal certo para isso, comprei o peixe.
Cheguei a casa, ele me olhou irritado, ainda pelo fato de eu ter desligado a TV, mas assim que viu o aquário em minhas mãos e uma criatura nadadora dentro dele, ele se aproximou de mansinho.
- Esta é Ariel - eu disse a ele, que certamente deve ter se lembrado do filme “A pequena sereia” que assistira há algum tempo.
Coloquei o aquário em uma mesinha perto do sofá e fui preparar a janta, não sem antes zapear pelos canais em busca de algum desenho para Abel. Minha surpresa foi que ele ignorou completamente a programação e apoiado no encosto do sofá, assistiu ao nado despreocupado de Ariel. Fiz uma nota mental para checá-los a cada cinco minutos, você já deve imaginar qual foi a minha preocupação.
Enquanto preparava uma macarronada, checando-os de tempo em tempo, percebi que Abel não se movera um centímetro, ele estava fascinado pelo peixe, como era pela TV.
Durante a janta, coloquei o filme preferido dele no DVD, mas não surtiu efeito algum. Ariel ganhará toda a atenção que ele podia dar.
Na manhã seguinte acordei tarde, sem meu despertador felino e quando vasculhei pela casa à sua procura, lá estava ele, empoleirado no sofá, de namorico com Ariel. Eu já devia ter imaginado.
E a relação silenciosa dos dois se fortalecia a cada dia, algumas vezes eu podia jurar que eles mantinham contato visual e realmente podiam entender um ao outro.
Abel revoltou-se quando eu apareci em casa com outro peixe e coloquei-o ao lado de sua amada Ariel, é que o vendedor do pet shop me dissera que esse tipo de peixe não gosta de ficar sozinho, mas eu devia ter me lembrado que ela não estava sozinha, Abel estava sempre lá. Não propositalmente, eu criei um triângulo amoroso. Coisa de novela.
Com o passar do tempo não me surpreendi quando Ariel ignorou o novo companheiro, ela só tinha olhos para Abel, que todo o dia escalava o sofá e passava horas contemplando as nadadeiras flutuantes dela. Sem outra opção, livrei-me do outro peixe, dei-o para o vizinho que possuía um aquário enorme onde ele seria mais bem aceito.
Abel ficou muito feliz com minha decisão e ronronou de alegria, Ariel nadou em círculos toda contente e assim os dois voltaram a ter privacidade.
É, o amor pode nascer em qualquer lugar, se você não acredita dê uma passada lá em casa e veja o romance daqueles dois, de mundos tão diferentes, mas de sentimentos parecidos. A história de Abel e Ariel continua até hoje e quando se trata de amor, tudo pode acontecer.

3 comentários:

renatocinema disse...

Adoro os contos desse site, sempre passo por aqui.

Mas, hoje me apaixonei pela imagem....apesar de não gostar de gatos.

A imagem me disse muito. kkk

Sam disse...

Nossa adorei! E que Abel e Ariel sejam sempre felizes, se olhando com amor :)

Cristiano Guerra disse...

Que lindo, Rod. Sempre com os melhores amores do mundo.(: