terça-feira, 6 de setembro de 2011

Semana especial: E que o amor viva #Dia06


Estavam ali mais uma vez, João e Maria, com seus corações ardendo. Apesar de se esforçarem, de se empenharem, de tentar entender, o amor é muito maior que a gente. Achamos que podemos controlá-lo, até que ele aparece de vez e prega a peça. E aqueles corações ardiam. Mas não era de dor ainda. Era de amor.
E mesmo sem saber ao certo o que estava por vir, ambos os corações estavam dispostos a entregar-se, a embaraçar-se em uma única batida sincronizada pelo ritmo veemente abrigado naqueles músculos recém apresentados a pureza de tal sentimento.
O coração de João, incontido, sentia intermitentemente o de Maria pulsar, querendo mais, pedindo mais e ambos ansiavam por aquela entrega, pois não importava o depois, era o agora que eles pensavam, que eles sentiam e cediam. O olhar dos dois se encontrou, transmitindo muito mais que simples palavras. Os corações bombearam amor pelas artérias e então souberam que seus destinos estavam entrelaçados, não apenas no presente, mas talvez para sempre.

João parecia achar que assim como todo filme que assistia, a vida também caminhava diretamente para um final feliz inesperado. O herói vencia todos os obstáculos e conseguia o tão esperado “felizes para sempre”, o que talvez ele não entendia é que o para sempre é uma utopia desgastada que já não encanta como antigamente. Maria, por outro lado, era uma moça de cabeça aberta e pés no chão, ora descalços para sentir os pequenos tremores da terra, ora protegidos por solas grossas e saltos altos, dando-lhe altivez que sempre estivera presente em sua vida.
A história dos dois parecia fazer parte de dois livros diferentes, como se fossem personagens distintos de romances baratos, cada um com seu clichê particular, no entanto numa das linhas da vida, o parágrafo dos dois se encontrou e ali estavam os dois, passeando por vírgulas, despreocupados, despretensiosos e distraídos, tantos adjetivos com a mesma letra, assim como estavam prestes a tomar uma decisão incomum.
Eles sabiam que se amavam, sabiam que o amor que existia entre eles jamais poderia ser encontrado... Sabiam que tudo aquilo era perfeito demais para existir e que a existência corrompe a perfeição. A história atingia o clímax do desfecho do penúltimo capítulo.
João e Maria decidiram eternizar suas vidas, fundindo sua paixão com as palavras de amor trocadas e com as juras não pronunciadas. Eles perceberam que quando o amor era demais, ele se derramava pelos poros e escorria pelo caminho e o amor é um bem tão precioso que não se pode desperdiçar. Apenas compartilhar, de um coração para o outro.
João entendeu que para ser um herói ele precisava fazer escolhas difíceis e Maria ponderava que viver de amor era grandioso, mas morrer de amor era épico.

Os dois deram as mãos, confiantes de como haviam decidido colocar o último ponto final, se beijaram docemente e deitaram-se na trilha do trem... Um apito distante anunciou que um livro estava prestes a se fechar, mas a história contida naquelas páginas duraria para sempre. E se eles foram felizes, isto depende da perspectiva de cada leitor.

3 comentários:

Pires Silva disse...

Nossa, romance e drama. Meus preferidos. Adorei meeesmo e adorei mesmo mesmo a seguinte frase: "a existência corrompe a perfeição." MUUUUITO boa

adorei o texto, bjs

Rebeca Postigo disse...

Triste, mas belo...

Bjs

Alexandre Fernandes disse...

Felizes. O amor vive a despeito de qualquer coisa. É transcendental.

Muito lindo o conto amigo.

Abraços!