sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sem você



As estátuas brancas e indiferentes me encaravam por todos os caminhos lúgubres do cemitério. As flores murchas outrora colocadas em arranjos bonitos exibiam a palidez do local. O céu cinzento refletia a dor do meu coração inocente que ainda não entendia a perda que havia sofrido.
Eu nunca tive nada nessa vida, nunca pedi por nada. Eu nem ao menos podia falar. Minha vida se resumia a estar sempre na companhia dele, tentando transmitir todo meu amor através de meus olhos e gestos tolos, e tê-lo era o que me bastava, só ele era o suficiente para trazer alegria ao meu mundinho solitário. Pois, não sei muito das coisas, mas acredito que o que importa não é o que temos, mas sim, quem nós temos na vida. E eu tenho... não, eu tinha ele. Ainda me é recente o corte profundo que não tê-lo por perto me causou, ainda reluto em admitir que não verei mais o seu sorriso ou escutarei sua voz dizendo só para mim que eu era especial. Ainda não quero admitir que sua mão não roçará minha cabeça, atrás das orelhas, me acariciando e me fazendo dormir.
A lápide com o nome dele, o qual não sei ler, está diante de mim. Fria, sem vida. A terra ainda macia por tê-la engolido há pouco tempo. Eu queria avançar em todos eles, naqueles homens de rostos sem emoções, que seguravam pás e o levavam para longe de mim, mas eu não tinha forças. A dor e o vazio me preenchiam de tal forma que até meus movimentos me doíam.
Ele havia partido para não mais voltar e eu me deitaria ali ao lado dele, esperando encontrar o mesmo caminho que ele tomou, esperando encontrá-lo mais uma vez e correr ao seu abraço, pulando de felicidade e abanando meu rabo o mais forte que eu puder.
Não sei quanto aos outros da minha espécie, mas eu posso dizer que uma vida ao lado do dono que tive foi o suficiente para alegar que a cumplicidade e o amor existem.
"Um cão não precisa de carros modernos, palacetes ou roupas de grife... Se você lhe der seu coração, ele lhe dará o dele*"
Eu dei meu coração ao meu dono e garanto que tive o dele em minhas patas por um tempo. Agora o meu bate por nós dois, pelo menos até o momento de nosso próximo encontro.

* Trecho retirado do livro Marley e Eu - John Grogan

3 comentários:

@samylesousa disse...

Muito fofo, eu já assisti o filme, mas agora fiquei curiosa em relação ao livro, parece ser muito bom *-*

Dá uma olhadinha?
http://agarotaperfeitatemdefeitos.blogspot.com/

Any disse...

nossa, que lindo.

Au disse...

Arrepiou.

Não tem outra maneira de definir o texto: Lindo.
Quem tem um cachorro consegue entender exatamente tudo que está escrito.

Muito bom!

Abraço!