domingo, 15 de maio de 2011

A declaração de um apaixonado


♪ (...) And if you can be happy with me,
I'll be happy to be myself... ♫

Ele não se lembrava de quando não estava apaixonado por ela, era como se a vida inteira aquele sentimento fizesse parte de sua essência. Sempre silencioso e sofredor. Ele a via em braços alheios e tocando outros lábios, mas seu temor pela rejeição, ou pela certeza da mesma, lhe emudecia. Toda noite, em sua cama, ele ensaiava diálogos que se prendiam em sua garganta quando o dia amanhecia.
Certa vez, prestes a partir em viagem sem retorno determinado, seu sentimento o sufocou de tal maneira que ele não teve como fugir. No aeroporto, durante a despedida, ele declarou-se:
- Eu te amei a minha vida toda, mas sei que nós nunca vamos dar certo, só estou te dizendo isso porque não dá mais para guardar isso só pra mim.
- Por que você me ama? – ela não conseguiu encontrar outra coisa para falar e achou-se estúpida pela pergunta.
- Porque não tem como não amar, eu me sinto feliz quando você está por perto. Meus olhos sorriem toda vez que eu te vejo, eu sorrio quando escuto seu toque no meu celular porque sei que vou ouvir sua voz do outro lado da linha, minha voz sorri quando fala com você.
- São muitos sorrisos – ela concluiu e ele riu-se.
- É, são... eu preciso ir.
- O quê? Você me fala todas essas coisas e simplesmente vai embora?
- Eu não sei como te encarar depois disso, na verdade nem sei como estou fazendo isso agora. Eu decidi que deveria te contar hoje, pois eu não te veria durante um tempo, não quero que fique um clima estranho entre a gente. Eu te amo, você só quer minha amizade, eu posso viver com isso, só que eu preciso de um tempo.
- Você me parece bem certo do que quer fazer. Eu ainda não processei tudo isso que você me disse...
- Você vai ter tempo, eu não estarei por perto, então você vai poder pensar bastante nisso.
- Então é isso? Dizemos adeus agora?
- Acho que sim. Até a volta – ele disse e fez um movimento para abraçá-la, mas ficou constrangido com o gesto e apenas trocaram um aperto de mãos.
Ela observou-o partir, carregando uma mala e todo o seu amor e naquele instante percebeu que não conseguiria ficar longe dele e correu até seu encontro.
- Espere – ela gritou e ele virou-se. – Eu não acredito que você me disse tudo isso esperando que eu fosse fingir que nada aconteceu. Eu sou mais feliz quando você está comigo também.
- O quê? Você...
- Eu ainda não sei como deixei você se declarar antes de mim. Eu não vou ter isso que temos com nenhuma outra pessoa, eu quero sua amizade, mas isso não me impede de querer algo mais, certo?
Um sorriso enorme abriu-se no rosto dele e deixando a mala no chão, correu e abraçou-a, segurando-a forte em seus braços, de onde ninguém a tiraria. Então ele olhou o relógio e viu que não dava mais tempo de pegar o avião. Ele ficaria ali, com ela, onde seu coração pertencia.
- Por que você demorou tanto para se declarar, seu medroso?
- Não sei, mas a espera valeu a pena – ele respondeu e a beijou.
Aquele beijo foi diferente de todos os outros anteriores, que se tornaram falsos e insípidos naquele momento.
Algumas histórias de amor demoram a acontecer, mas se estiver destinada, como a do dois, mais cedo ou mais tarde, há de começar. Basta acreditar.

Pauta para Bloínquês

2 comentários:

renatocinema disse...

A demora nunca é grande quando o resultado final é a felicidade eterna.

Sinto que os contos desse site estão cada vez mais cativantes e apaixonantes.

Continuem assim

Alexandre Fernandes disse...

Que conto amoroso. É realmente lindo lê-lo e sentir o amor tão natural das palavras. Uma declaração singela que soube desencadear finalmente esta magia entre os dois.

Simples, terno e ao mesmo tempo fantástico.

Abração!