sexta-feira, 15 de abril de 2011

Questão de sonhos


“Seu sonho tem o mesmo tamanho da sua vontade de realizá-lo?” Ele tinha me perguntado isso e desde então essa perguntinha capciosa não saía dos meus pensamentos, exatamente porque eu ainda não havia encontrado uma maneira adequada para respondê-la.
A princípio, dialogando com meus próprios botões e respondi efusivamente que sim. Minha vontade de realizar meus sonhos era tremenda, mas foi nesse momento que eu me dei conta de que se minha disposição fosse tanta, eu não passaria o tempo todo esperando que o sonho se realizasse por si só, então eu percebi que meu sonho é maior.
Apesar de já ter encontrado a resposta, eu ainda não queria proferi-la em voz alta, ainda queria ludibriar meu eu interior dizendo que eu havia tentado, mas claro que isso foi em vão, não podemos enganar a nós mesmos, não podemos contar uma mentira esperando que ela se transforme em verdade no percurso, não quando sabemos a verdade.
Acho que na verdade sempre tive essa sensação de que sonhos são utópicos, sempre pertencentes a um mundo diferente do nosso e que dificilmente pode ser atingido, por isso minha manifestação a respeito deles sempre foi a de esperar.
“Não correr atrás de seu sonho é o mesmo que viver segurando um caderno em branco e nunca possuir um lápis para preencher suas linhas.” Ele também me disse, não sei se ao me encarar nos olhos ele pode perceber que minha vontade era tão retraída que quase não se deixava ver, mas afinal se eu era dona de meu sonho por qual razão eu não me permitia buscar sua realização? Talvez esse seja o ponto que ele queria me deixar, me fazer questionar minhas próprias razões e empecilhos.
Olhei para o relógio e vi que se aproximava da hora marcada, ele chegaria em breve e exigiria uma resposta. Corri para fora, o dia estava lindamente vestido de azul e uma brisa leve sacudia os galhos finos das árvores que pontilhavam a rua. Deitei-me sobre o meio-fio, cruzando os braços atrás da cabeça para usá-los de apoio e encarei aquele céu desprovido de nuvens.
Aquele céu era eu, vazio como aquele caderno que carrego debaixo do braço. Olho ao redor, procuro uma caneta ao mesmo tempo em que tento afugentar uma resposta inteligente, que apenas soaria como uma desculpa.
Vale a pena colecionar pedras por não ter diamantes?” Lembrei-me também dessa outra questão sem nexo. Acredito que as pedras que colecionamos são apenas substitutas artificiais que nunca terão o brilho e valor verdadeiro de um diamante. É, por um lado acho que é isso, mas agora me veio outra interpretação para a pergunta, que tem mais a ver com a primeira questão.
- E então? – a voz dele irrompeu o silêncio do vento e sua sombra se curvou sobre meu corpo estendido no chão.
Levantei-me e limpei as costas, senti meu coração palpitar por estar diante dele e ainda não ter certeza de como responder as perguntas, mas arrisquei.
- Realizei todos os sonhos pequenos que tive vontade, mas sempre deixei os grandes para depois, fui colecionando coisas triviais e caminhando em busca de disposição para fazer aquilo que realmente importa. Vou jogar fora todas as pedras que não são úteis e manter os pequenos rubis que possuo e agora que encontrei uma caneta, meu caderno será preenchido. Agora eu percebi que estive lutando pelos sonhos errados.
- Não existem sonhos errados, talvez seja apenas questão de momento. Um sonho só se torna importante quando chega a hora certa e sua vontade de realizá-lo só fica do mesmo tamanho quando você encontra o sonho certo.
Tentei entender aquela outra metáfora, até perceber que não se tratava de uma.
- Você está pronta para ir em busca de seu sonho? – ele perguntou.
- Agora estou – respondi veementemente.
- Qual é o seu sonho?
- Um dia, quem sabe, eu possa lhe contar, agora estou ocupada demais tentando encontrar maneiras de trazê-lo para a realidade.
Ele sorriu, sacudiu a cabeça e seguiu pela rua. Eu me perguntei se veria novamente aquele estranho que me parara na rua com suas perguntas complexas, alguma coisa me dizia que sim, eu ainda toparia com ele antes do final.










Pauta para Créativité

3 comentários:

renatocinema disse...

Sonhos, mentiras. Esses são pontos fundamentais na vida de qualquer pessoa.

O lunático conta uma mentira tão bem conta que ele mesmo acredita.

Ai está o grande medo da vida.

Cel espiao disse...

Gostei muito deste site e por isso resolvi colocar uma mensagem para conhecimento de todos. Já existe uma maneira de se fazer grampo de celular. Chama-se telefone espião. Você pode encontrar no site www.celularespiao.net

meus instantes e momentos disse...

muito bom o jeito de deixar fluir o texto.
Muito bom.
Maurizio