sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Que seja platônico então

Nunca soube se eu e você fomos feitos para ser um casal, principalmente por eu passar despercebido pelo seu lado e por seu olhar sempre me atravessar quando olhava para mim. Não entendo de histórias de amor, mas isto provavelmente se deve ao fato de eu nunca ter vivido uma. Não sei distribuir sorrisos apaixonados para qualquer pessoa, mas sei que esse mesmo sorriso seu jamais será entregue a mim.
Talvez a forma mais sincera de amor seja a platônica, pois idealizamos o outro com tanta intensidade, fazemos planos que não se realizarão, sonhamos alto sem medo de cair para no final não passar de um mero caso de amor não correspondido... É, aquele que você deita na cama e aquela pessoa em especial passeia pelos seus pensamentos, mergulha no seu inconsciente e quando você percebe já acordou sorrindo por ter sonhado com ela e mesmo que saiba que nunca vai tê-la, você se sente feliz por amá-la mesmo assim.
Esse, sem dúvida, é o amor do tipo mais altruísta que existe. Um amor que escapa de um olhar e que fisga sensações e emoções impossíveis.

Ela se sentava no outro canto da sala, sorria com as amigas (um sorriso mais radiante que o brilho do sol), sua voz se elevava sobre as demais (como um canto angelical que te prende de dentro pra fora) e seu perfume abraçava a todos no ambiente (da mesma forma que o vento se enrosca nas árvores numa manhã de primavera).
É claro que você deve estar pensado que eu estou exagerando, mas não preciso provar nada para ninguém. Meus olhos a enxergavam através das lentes da paixão e isso a fazia perfeita para mim e nada nem ninguém poderia me provar o contrário.
De maneira inocente e não intencional ela roubou meu coração, que se prendeu nas mãos distraídas dela, que nem ao menos sabia que o mantinha cativo.

Na verdade eu sempre soube que eu e ela não éramos destinados a ficar juntos, isso é uma coisa de instinto, meu coração se reconheceu no dela, mas o dela nem sequer notou sua presença. Tenho uma teoria que afirma que existe paixão, amor e O grande amor. A maioria das pessoas simplesmente passa a vida toda vagando entre paixões e amores e pouquíssimos sortudos encontram o grande amor de suas vidas, esse que é feito para ser eterno, onde duas almas e dois corações se encontram e se unem como um só.

No ano seguinte ela não estava mais lá. Havia outras garotas no canto da sala, que sorriam e conversavam. Por amá-la eu desejava que ela estivesse bem, não importa em quais braços estivesse aconchegada.
Eu olhava pela porta, atento a todos que passavam e uma garota tímida cruzou o portal e sentou-se afastada dos demais. Eu mal sabia, mas eu estava prestes a deixar paixões e amores para trás para alcançar algo maior.

Ah, minha garotinha, tenho um coração carente esperando pelo toque certo para afagá-lo.
Ela me olhou e sorriu como se tivesse lido meu pensamento.
E a outra garota? É passado. Temos que nos desprender das sementes que não vingaram e correr em busca de um sólo fértil que possa dar bons frutos.

Se isso se tornar outro amor platônico? Que seja platônico então.

5 comentários:

Lury Sampaio disse...

Adoro teus contos porque eles sempre terminam de uma forma inesperada.
Descrevestes muito bem essa paixão platônica que todos nós já sentimos um dia. É tão bom, como já disse Lulu " a alegria que me dá, isso vai sem eu dizer."

Jéssica Trabuco disse...

Eu adorei o que vc falou sobre se desgarrar das sementes que não vingaram...

Adorei o texto ;)

Thiara Ribeiro disse...

Ótima teoria, Rodolpho! :)

BlackRabbit disse...

q massa...
gostei do tempo q vc levou pra esquecer a outra moça...
xD~~~

Cristiano Guerra disse...

Me deixou sonhando. ;]