domingo, 31 de outubro de 2010

História de acampamento

Estávamos todos no acampamento, dentro do dormitório escuro. Apontei o feixe da lanterna para o meu rosto para criar aquele aspecto sinistro e comecei a falar:
- Vocês já ouviram a história do massacre que aconteceu aqui nos anos 70?
Todos negaram com a cabeça, olhos ávidos e ouvidos atentos à narrativa.
- Eu não deveria, mas vou contar a vocês então. - eu era o monitor daquele grupo de sete.

Tudo começou na semana anterior ao Halloween, o ar do acampamento estava mais denso e tenebroso, as árvores se sacudiam agitadas pelo vento que uivava e havia segredos na escuridão.
Um grupo de sete pessoas encontrou um tabuleiro Ouija escondido em um dos armários trancados do quarto. Talvez por ingenuidade ou curiosidade eles resolveram jogar. Primeiro perguntaram se havia alguém ali com eles e a tábua indicou que sim. Todos ficaram mais eufóricos do que assustados. Em pouco tempo a tábua disse o nome de todos que estavam ali e no final soletrou a palavra “morte”.
Alguns acharam que se tratava de uma brincadeira de outro integrante do jogo, enquanto outros se assustaram com aquilo.
No dia seguinte um homem que fora citado na tábua foi encontrado morto no vestiário, vítima de um traumatismo craniano. E cada dia que passava um participante do jogo morria de uma forma horrenda. Até que o último, que morreria no dia das bruxas, revelou para autoridades do acampamento sobre o que estava acontecendo e o mantiveram protegido.
Um apagão à meia-noite e uma explosão levou todos para fora de seus dormitórios, no pátio central havia uma fogueira enorme e enquanto tentavam conter o fogo que ameaça se espalhar, aquele, cujo nome tinha sido citado, desapareceu. Até hoje ninguém sabe o que houve com ele. Alguns dizem que ele era o culpado pelo massacre, outros dizem que o espírito que eles libertaram viera buscá-lo, mas são apenas teorias.

Eu terminei de contar e pude ver o olhar apavorado de alguns deles.
- Agora é hora de vocês dormirem - eu disse e me direcionei para o dormitório dos monitores.
Assim que os deixei, eles encararam o armário que guardava o tabuleiro e se arrependeram de ter jogado na noite anterior.

- E então, deu certo? - um dos monitores que me esperava na porta perguntou.
- Sim, eles ficaram morrendo de medo - respondi contendo o riso.
Todo ano pregamos essa peça nos calouros daqui e eles só descobrem a verdade no dia das bruxas.

Gostosuras ou Travessuras?

8 comentários:

Nina disse...

kkkk. Que travessura!!!

kkk

Faz parte!

Cristiano Guerra disse...

Haha, travessuras!

Alexandre Fernandes disse...

Que conto legal Rodolpho!!
É raro a gente ler coisas assim de terror. E essa realmente tem um tom sinistro, bem a ver com o tema.

Um conto muito bem escrito.

Abração!

renatocinema disse...

Adoro contos de terror. Terminei de ler um livro chamado Poe 200 anos, com vários contos. Imperdível para quem gosta do gênero. Parabéns pelo seu conto. Abs

Jυℓyαnα ツ disse...

Travessuras, com certeza!




;*

Au disse...

Rodolpho, você se supera sempre! Impressionante!!!
Gostei muito da história e o final dos personagens fictícios ficou demais... Não saber se ele era o assassino ou aconteceu algo semelhante aos amigos.

Parabéns!


Travessuras, com certeza!

BlackRabbit disse...

gostosuras!!!
*¬*
as travessuras eu q faço com os outros...
shaisuhasiuhaiushaiushaisuahsiuh...
conto muito bom...
^^
final feliz, porém, não esperado...
gostei...
\o

Letícia R. disse...

eueueuieiuieueuiiue
Muito boom, adorei!
No começo teve tanto mistério, aquele clima de medo e tal... Achei que o final seria ruim e quando terminei de ler, me surpreendi. Teve uma hora que até achei que o monitor que tava narrando a história tivesse algo a ver com o massacre. Enfim, ficou muito foda *-*