terça-feira, 7 de setembro de 2010

O primeiro passo

Talvez alguns discordem de mim, mas acredito que o maior medo do ser humano é ser sozinho, mesmo aquela pessoa mais egoísta teme a solidão. Enquanto repouso a minha cabeça na janela e escuto a chuva cair em seu ritmo suave, afundo em pensamentos sobre a vida. Eu não tenho um lugar para chamar de lar. Eu tenho uma casa, sim, mas ela não é meu lar, posso dizer então que meu coração não habita aqueles cômodos, ele está apenas de passagem por ali, um hóspede que pode ir embora a qualquer momento.
Uma vida nômade, vagando a esmo me soa estranhamente sedutora, eu e uma mochila nas costas... deixando as pegadas para trás, a mercê do que o destino me entregar. Seria essa uma maneira de fugir ou apenas uma maneira de me encontrar? Talvez aquilo que eu busque no meu âmago esteja solto por esse mundo e minha missão é sair para conquistar, talvez esperar não seja a coisa certa a se fazer.
Os ponteiros do relógio continuam seu trabalho sem ao menos notar minha presença ali na sala, eles não param, segundo após segundo vão lentamente percorrendo a circunferência na qual sempre estarão presos. Eu não quero uma vida assim, correndo sempre em busca de algo sem razão, não quero ser refém do tempo que corre contra mim. Eu quero ter fé de que tudo vai melhorar, de que existe algo mais pelo qual lutar e se manter vivo.
Pergunto as gotas de chuva que escorrem no vidro embaçado se elas sabem me dizer qual direção seguir ou se devo apenas me orientar pelo sopro do vento, ora norte, ora sul... os pequenos pingos me ignoram também e seguem seu trajeto rumo ao chão, atraídos pela gravidade. Preciso de ouvidos realmente dispostos a me ouvir, preciso de vozes atenciosas o bastante para me guiar.
A chuva vai cessando, a brisa fria irrompe no ambiente como uma convidada especial que aparece de repente para o jantar. Nesse meio tempo as engrenagens do meu cérebro trabalharam numa válvula de escape que poderia me tirar da monotonia diária.
Não fiz planos, pois sempre os deixo de lado depois de um dia ou dois. Não almejo sonhos pequenos, pois se quero a realização de algum, que seja dos grandes. Não me iludo com propostas utópicas.

Os ponteiros já haviam dado algumas voltas quando abri a porta para o mundo molhado diante de mim e carregando uma bolsa com algumas peças de roupas eu dei o primeiro passo fora de casa, o primeiro passo em busca do meu lar. Um passo marcado pela batida do meu coração que saltitou de emoção ao perceber minha nova empreitada.
Parto hoje em busca de respostas, parto em busca de novas perguntas. Deixo para trás as amarras que prendem, desejo alçar vôos altos. Não tenho rumo, não carrego mapas nem bússolas... se eu me perder pelo caminho quem sabe eu não me encontre.
Não sei se e nem quando eu volto. Se perguntarem de mim o vento irá dizer a direção, olhe para céu estrelado toda noite e saiba que onde quer que eu esteja estarei olhando para o mesmo céu.
Alguma coisa lá fora me espera, quando eu descobrir o que é, eu te conto.

12 comentários:

Jaqueline Jesus disse...

liiindo !!
saber a hora de dar o primeiro passo em direção ao que queremos requer coragem. Adorei seu conto. Ta escrevendo em vários blogs agora hein. Tomara que vc escreva logo um livro, rs *-*
beeijos

Nini C . disse...

Pouxa, gostei bastante. Também acredito que o maior medo do ser humano é ser sozinho. E quanto a ter um lugar pra chamar de lár, eu também quaro ;)
Beijos...

Cristiano Guerra disse...

Uou! Eu fiquei impressionado. para começar, não há nada pior do que a solidão. Quem quer ficar sozinho? Fora que eu achei o personagem muito corajoso. Poucas pessoas dão o primeiro passo, e dessa que dão, consideram-no o último. Gostei muito ;D

Au disse...

O problema sempre está no primeiro passo, por mais simples que pareça (no modo literal) é complicado quando se trata de um coração sem grandes esperanças.
Mas quando se consegue... Tudo simplifica!

Stella Rodrigues disse...

seguindo ;D

Não tenho rumo, não carrego mapas nem bússolas... se eu me perder pelo caminho quem sabe eu não me encontre.

- Como podem se encontrar, se nunca se perderam?Uma frase que eu gosto bastante de usar :) belo blog. Mais um que vai me dar dor de cabeça por eu não conseguir acompanhar

Nina disse...

Sozinho,sem relógio,sem GPS, sem caminho á seguir. Solto no vento e no balanço da alma...


Muito lindo o texto♥

Natália disse...

Tem um amigo meu que sente-se assim, como a descrição feita no primeiro paragrafo, é muito triste, mas não posso fazer nada por ele.

Eu TAMBÉM, sinto muito medo de ficar sozinha.

Beijo, adorei aqui!

Flávia disse...

iiih, olha eu aqui tbm...
Sou muito suspeiita pra falar dos seus textos, pq o seu jeito de escrever me contagia de uma maneira que olha...

Adoreeei!
E siigo esse tbm...
Grande chance MESMO dessa união dar certo e fazer mto sucesso!
Beeijoos =D

BlackRabbit disse...

kra...
texto muito bom mesmo!!!
as vezes eu qria ter coragem de dar um passo assim...
pegar uma mochila e sair andando pra Deus sabe onde...
=p
mas sei lah...
acho q sou calculista e pessimista demais...
._.
flwz...
\o

Flor de Lótus disse...

"É impossível ser feliz sozinho" Posso ir junto contigo nessa busca rumo a si mesmo? sempre quis fazer algo assim.e pretendo muito em breve partir talvez com rumo certo,mas isso só o futuro dirá...
Lindo conto!
Beijosss

André Moura disse...

Gostei, um texto com atmosfera tranquila.

Thiara Ribeiro disse...

Queria ter essa coragem!

Muito bom aqui!

;***